Category: Marketing

Surpreendendo o Consumidor

Por Antonio Pedro, 31 de outubro de 2011 22:18

natura_plantA Natura fez uma ação de marketing bastante inteligente com o Natura Plant, linha para cabelos da empresa de venda direta.

Os clientes, ao comprarem um ingresso para o Cinemark no site ingresso.com, eram convidados a gravar um elogio aos cabelos de suas mulheres. O que elas menos esperariam, no entanto, seria que o elogio fosse parar na própria tela do cinema, o que ocorreu de fato.

A reação genuína dos clientes e sua surpresa ao se depararem com a mensagem é muito mais forte do que qualquer propaganda de xampu. A Natura acertou ao fazer uma ação bem feita e original, criando um elo de ligação emocional com o consumidor. No entanto, o alcance deste tipo de mensagem é limitado e seu efeito bastante curto, já que as pessoas acabam contando umas para as outras, o que acaba com a surpresa e com a originalidade iniciais.

Mesmo assim, com a internet, a Natura pode difundir o vídeo pelas mídias sociais, capitalizando sua mensagem e sua ação. Parece que é isso que a empresa está fazendo, já que mais de 80.000 pessoas já assistiram a ação no Youtube.

Confira o vídeo:

Branding em chocolates

Por Antonio Pedro, 5 de outubro de 2011 0:52

zChocolat2A francesa zChocolat criou um novo conceito de como vender chocolates: não é apenas mais uma chocolateria, mas uma experiência bastante bem pensada de branding, mostrando que é possível aplicar o conceito para qualquer tipo de negócio.

Vendendo exclusivamente online, a empresa possui um site cuidadosamente feito e muito bem produzido, contendo imagens que saltam aos olhos, assim como cores e fontes que remetem ao seu caráter exclusivo. Os chocolates são assinados por Pascal Caffet, considerado um dos melhores conhecedores do assunto, que criou 15 receitas variadas para todos os gostos: chocolate praliné, com maracujá,  amargo ou até com rapsberry (entre vários outros). Cada chocolate é numerado, remetendo a uma das receitas, podendo-se comprar kits com apenas um dos tipos ou com vários deles.zChocolat1

A experiência com o site é bastante interessante, principalmente pela sua flexibilidade. Pode-se comprar escolhendo uma ocasião (namorados, por exemplo), por caixas já pré-definidas ou fazer uma personalização completa. A facilidade com que se monta a seleção dos chocolates é bastante grande, assim como as opções para deixar a compra personalizada. É possível, por exemplo, gravar o nome da pessoa que se quer presentear na caixa de chocolate, escolher a mensagem do cartão, a cor do papel de embrulho, entre várias outras opções.

Além disso, as fotos e descrições dos chocolates são de dar água na boca, não se sabendo qual deles que se deve escolher. O cuidado com que se tomou para desenhar o site impressiona, principalmente pela qualidade das imagens. Um dos poucos poréns, no entanto, é o fato do site abrir outras páginas cada vez que se clica num link diferente (algo que é muito fácil de se resolver, o que não representa um erro grave de forma alguma).

zChocolat3E não só o design e navegabilidade do site que são bem-feitos (o que não seria suficiente, convenhamos), mas também a experiência da compra em si. Ao se fazer a ordem de compra, a zChocolat avisa sobre o prazo de entrega e de quando o pedido estará pronto para ser enviado. Há um zelo especial com a remessa, sendo que a empresa envia diversos emails com o status atualizado da sua compra.

Eu mesmo pude testar o site, já que fiz um pedido que deveria ser entregue no exterior. A minha experiência foi bastante positiva: enviaram meu pedido antes do prazo estimado (aqui houve um bom gerenciamento de expectativa do cliente, já que não me foi prometida uma data muito curta) e a entrega também foi feita antes da data estipulada. E, ainda por cima, eu havia feito uma personalização, o que, em teoria, tornaria o processo mais complexo.

Como pontos negativos da zChocolat, o principal deles é a relação custo-benefício. Por se tratar de chocolates de luxo, os preços são bastante elevados e cobrados em euros. Mas este para mim não foi o pior defeito. O que mais me chamou a atenção foi ver o tamanho da caixa e dos chocolates quando me deparei com eles ao vivo. Minha impressão é que fossem grandes, o que justificaria o preço que havia pagado. Porém, esta foi minha maior decepção, já que eram pequenos e delicados, o que não se tem a devida percepção ao se fazer a compra pelo site.

Mesmo assim, acredito que a experiência como um todo é válida e que a zChocolat faz um ótimo trabalho de marketing e de branding, tornando única a interação com o consumidor. Em suma, pode ser uma boa alternativa para um presente para uma ocasião especial, principalmente quando se quer impressionar.

Enciclopédia do Tênis

Por Antonio Pedro, 10 de julho de 2011 1:01

sneakerpedia

Quer um lugar para consultar todo o tipo de tênis que já foi colocado à venda algum dia? A Foot Locker, loja americana de sapatos, lançou o site Sneakerpedia, que tem como objetivo catalogar todo e qualquer tipo de tênis já lançado e vendido no mundo.

Com uma base colaborativa, no estilo do Wikipedia, a Sneakerpedia tem a mesma lógica: basta ao usuário fazer o upload de uma foto do seu tênis, colocar informações de cores, tags, fabricante, materiais etc. para participar do site.

A Sneakerpedia é bastante interativa e tem um visual moderno e clean, o que facilita a visualização dos inúmeros modelos de tênis disponíveis. A busca também é bastante completa, podendo-se procurar um tênis pelo esporte (basquete, corrida etc.), marca, material, cor ou palavra-chave. Ainda, é possível escolher um usuário e verificar todos os modelos que ele recomenda.

A Foot Locker acerta em colocar o site no ar, claramente como uma estratégia de branding, ajudando a divulgar sua marca para os seus consumidores mais apaixonados por tênis. Além disso, também pode recolher informações preciosas sobre hábitos de consumo, comportamento do consumidor, preferências e muito mais.

Confira o vídeo sobre o site:

branding em restaurante

Por Antonio Pedro, 8 de maio de 2011 22:12

Branding é algo que deve ser encarado com seriedade pelas empresas e servir como direcionamento de tudo que está relacionado com a marca.  Não é apenas um conceito teórico e distante, pouco aplicado na prática.

No caso de um restaurante, por exemplo, deverá estar presente em cada detalhe, desde a decoração até o atendimento, modo de falar dos garçons, cardápio, escolha dos vinhos, decoração, cores e todo o tipo de contato com o cliente. Pode parecer exagero, mas cada vírgula conta, devendo-se ao máximo explorar as nuâncias para dar vida a uma marca e torná-la uma experiência inesquecível, tangibilizando seu conceito para os consumidores.

Com esta ideia na cabeça, a rede de restaurantes japonesa Diamond Dining contratou a empresa de design (também japonesa) Fantastic Design Works Co. para  ambientar e conceitualizar um de seus restaurantes. Segundo a Diamond Dining, a filosofia de sua empresa é encantar os clientes, se esforçando ao máximo pela sua satisfação, incorporando-a no design interior, no serviço e na cozinha.

O resultado foi a criação de um restaurante baseado no filme Alice no País das Maravilhas, com diversos ambientes que lembram cenários de teatro, cenas de filme ou uma ambientação fantástica esperando para ser descoberta, como num sonho de criança. Livros gigantes, piso xadrez, cores fortes, mesa em formato de coração e lustre de cartas de baralho são algumas das decorações extraordinárias que o cliente se depara ao explorar o ambiente.

A Diamond Dining, com isso, tornou o branding uma realidade, diferenciando-se de seus concorrentes e criando uma experiência memorável para o consumidor. Banzai!

Confira as fotos do restaurante:

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Nosso passado visto do futuro

Por Antonio Pedro, 5 de abril de 2011 0:24

O Itaú fez um excelente vídeo viral para mostrar que está antenado com as novas gerações e que está preparado para o futuro. A ideia foi relativamente simples, porém genial. Juntou vários ícones da geração nascida nos anos 1970 e colocou para serem avaliados por crianças. O resultado não poderia ser mais surpreendente!

Para os que nasceram naquela época, é emocionante ver as crianças tentarem adivinhar para que serviam os produtos. O itaú foi bem inteligente ao usar uma conexão emocional com os seus clientes, já que uma parcela importante tem filhos nesta idade. No fim do vídeo, aparece uma mensagem que resume  a preocupação do banco: “O mundo está mudando cada vez mais rápido, e o Itaú acompanha essas mudanças”.

Ou seja, mostrou de forma acertada o desafio de se criar e inovar para seguir conseguindo resultados. A estratégia de marketing do Itaú está certa ao mirar o futuro, o que é essencial para atrair novos consumidores, ainda mais com conceitos totalmente diferentes dos nossos.

Branding no banheiro

Por Antonio Pedro, 10 de fevereiro de 2011 22:52

A Sega resolveu inovar radicalmente ao desenvolver uma linha de games totalmente inusitada, chamada Toylets. Em banheiros públicos no Japão, a empresa instalou novos videogames que permitem às pessoas se divertirem e esvaziarem a bexiga ao mesmo tempo.

sega_toylet2Os jogos são bastante criativos. Em um deles, quanto maior for a força de seu jato de urina, mais rapidamente uma parede com grafite é limpa. Em outro, compete-se em um ringue de sumô contra o jogador anterior. A lógica é a mesma: se a força de sua urina for maior do que a do seu oponente, ganha-se a partida, jogando-o para fora da tela.

Nem toda marca poderia ter a flexibilidade para fazer ativação de seus produtos em lugares inusitados. No caso da Sega, no entanto, este tipo de ação poderá ser bem vista por seus consumidores, já que a maioria deles é jovem e com atitude irreverente, o que está de acordo com a mensagem da marca. Além disso, a empresa acaba gerando boca-a-boca entre as pessoas e exposição gratuita nos jornais, o que é positivo para a estratégia de branding da Sega.

sega_toylet1Mesmo assim, este tipo de ativação da marca deve ser avaliado criteriosamente antes de ser aplicado fora do Japão. Para algumas culturas poderá soar como algo bizarro e de mal gosto, ao ponto que em outros países, como no caso do Brasil, poderá se mostrar como algo bastante divertido e inesperado.

Concluindo, a Sega se mostrou muito criativa e inovadora, energizando sua marca com o lançamento do Toylets, mas deverá avaliar com cuidado sua estratégia de expansão.


Desconecta e desconexa

Por Antonio Pedro, 3 de janeiro de 2011 22:11

windows_phoneA Microsoft lançou recentemente sua mais nova aposta para desbancar Apple e Blackberry do mundo dos smartphones. Seu novo Windows Phone 7 promete facilitar a vida do usuário, tornando o uso do celular mais rápido e prático.

Para demonstrar esta vantagem, a Microsoft colocou no ar uma propaganda bem-humorada, na qual mostra pessoas viciadas em smartphone que não deixam de levantar um minuto se quer a cabeça, o que lhes acaba custando caro. A mensagem é dada pela interjeição “Really?” (”Fala Sério!” seria o equivalente mais próximo em português), que captura bastante bem o espírito do comercial.

A ideia é original, mas não fica clara a intenção da empresa e nem o principal benefício do celular, o que está apenas implícito na comunicação. Além disso, também pode acabar sendo um tiro no próprio pé, já que os heavy users de smartphones podem não ter gostado muito da ideia de serem ridicularizados na TV.

Não demorou muito para a Microsoft colocar no ar outras propagandas explicando melhor as funcionalidades do seu celular, talvez como resposta à um impacto negativo de seus consumidores.

dtacNa mesma linha e com uma propaganda bastante parecida (o que até parece ser plágio da Microsoft ou vice-versa), a operadora tailandesa DTAC também veiculou um comercial no qual mostra o quanto as pessoas se isolam ao usarem seu smartphones, se esquecendo de tudo à sua volta. O mote da campanha, “Disconnect to Connect”, é de uma simbologia forte e bem adequada à mensagem que se quer passar.

Diferentemente do comercial do Windows Phone, a DTAC abusa da emoção e promove um uso mais racional do celular, que deve estar a serviço das pessoas (e não o contrário). Entretanto, a operadora tailandesa pode estar trilhando um caminho arriscado ao pedir para seus clientes usarem menos seus serviços.

Ainda assim, sua mensagem poderá ser vista com maior simpatia do que a do Windows Phone, já que a grande maioria irá concordar que o uso abusivo do celular é prejudicial às relações sociais. Além disso, também provavelmente verão de forma positiva uma empresa de telefonia preocupada com seu impacto na sociedade. Na mesma linha, o Itaú fez propagandas voltadas ao crédito consciente, contribuindo favoravelmente para sua imagem no mercado.

Ou seja, a propaganda original da Microsoft é engraçada, porém pouco eficaz. As seguintes são mais esclarecedoras, mas ainda muito insossas. Por outro lado, a da DTAC é bastante envolvente e clara. Mesmo assim, ambas lançam um mesmo apelo: desconecte-se. Só que, pelo visto, quem corre o risco de ser mais desconexa e mais desconectada é a Microsoft.

DTAC – Disconnect to Connect

Windows Phone – Really? – Primeiras Propagandas

Windows Phone – Really? – Propagandas Explicativas

Desembrulhando o problema da embalagem

Por Antonio Pedro, 4 de novembro de 2010 22:39

wrap_rageEm 2008, a Amazon lançou uma campanha interessante com o objetivo de livrar os consumidores da frustração que sentem quando tentam abrir as embalagens dos produtos que compram (chamado nos EUA de “wrap rage”).

A ideia da empresa foi começar a comercializar seus itens mais vendidos com pacotes simplificados, sem a grande quantidade de plástico ou cartucho que normalmente os acompanham. Com isso, os clientes teriam maior facilidade de montar brinquedos, por exemplo, que muitas vezes são quase impossíveis de serem decifrados.

Com um toque de humor, a Amazon colocou a campanha no ar, conseguindo atingir mais de um objetivo: mostrou-se sustentável (por pregar pelo uso mais racional da embalagem), preocupada com o cliente e, finalmente, reduziu custos desnecessários com os fornecedores.

Cerveja fora do lugar-comum

Por Antonio Pedro, 16 de agosto de 2010 23:47

A cerveja argentina Andes, parte do grupo Quilmes (que por sua vez é controlado pela Inbev), resolveu usar da irreverência e do humor para comunicar seu posicionamento.

Nas peças de comunicação mais recentes, a amizade e o relacionamento são o tema central, mostrados de forma bem-humorada por meio do slogan:  “um amigo é um psicólogo, mas sem título”.

A ideia da campanha foi mostrar diversos problemas de relacionamento de uma forma irreverente, primeiro com uma análise de um psicólogo e, depois, com um conselho de um amigo no bar. Situações como infidelidade, sexo, casamento, entre outros, são tratados com muito bom humor.

Andes2Andes1

A Andes, no final, assina sua marca com a frase: “Es como somos”. Ou seja, a cerveja quer ser identificada como a “cerveja dos amigos”, próxima ao seu público-alvo e sem complicações. Lembrou de alguma coisa?

O que lembra é o posicionamento que a Bavaria tinha no passado, antes da Ambev ter sido obrigada a vendê-la para a Kaiser. É provável que tenham decidido aproveitar o antigo posicionamento da Bavaria e aplicá-lo a Andes. Porém, com uma comunicação mais solta e bem-humorada.

Mais recentemente, a Andes inovou ao colocar no ar uma outra campanha, a do Teletransporter. Uma ideia realmente genial, que traduz corretamente o posicionamento da marca. Trata-se de um “aparelho de teletransporte”, que nada mais é do que uma cabine com isolamento acústico para tirar os homens de situações embaraçosas – quando suas namoradas ligam para eles exatamente na hora que estão no bar ou na balada.

Dentro desta cabine, é possível apertar alguns botões e recriar sons de um hospital, supermercado, bebê chorando, entre várias opções. E o melhor de tudo: o aparelho realmente existe e foi colocado em diversos bares em Mendoza, na Argentina. Agora não tem mais por que se preocupar com broncas, basta se teletransportar.

Enfim, a Andes, com sua comunicação, consegue de forma clara e inovadora se posicionar no mercado, diferenciando-se do lugar-comum que é, muitas vezes, as propagandas de cerveja.

Confiram os comerciais da Andes do Teletransporter:

Mídias Sociais: uma revolução

Por Antonio Pedro, 19 de julho de 2010 0:27

midias_sociais

Quando a internet surgiu, nos anos 1990, a interação do usuário com os aplicativos era totalmente nova, mas ainda pouco colaborativa. As pessoas se conectavam para acessar conteúdo, descobrir novas informações, baixar softwares e se comunicar por meio de emails.

Com o tempo, houve uma evolução na forma de interação dos internautas com os aplicativos. Num movimento batizado de Web 2.0, as pessoas começaram a deixar de ser passivas diante da nova tecnologia, como o faziam com suas TVs e rádios, passando a ser protagonistas.

Um grande impulso para esta mudança de mentalidade e atitude foi o surgimento das mídias sociais, que rapidamente se espalharam pelo mundo com uma velocidade impressionante. Enquanto o rádio demorou 38 anos para atingir 50 milhões de usuários, o Facebook agregou 200 milhões em apenas um ano.

O que as mídias sociais possibilitaram foram novas formas de comunicação e expressão que antes estavam represadas. Hoje, qualquer um pode ter seu próprio jornal (um blog, como este), saber o que acontece no mesmo instante (no Twitter), acompanhar o que seus amigos estão fazendo (no Facebook) ou atualizar seus contatos profissionais (no Linkedin).

Esta nova forma de interagir com a internet muda a maneira como as empresas se relacionam com seus clientes. Antes, a comunicação era de via única, não havendo uma preocupação muito grande com o feedback dos consumidores. Somente por meio de instrumentos formais, como pesquisas ou SAC, eram conhecidas as percepções, o que ocorria apenas em momentos bem definidos.

Hoje, milhares comentam sobre produtos e marcas, avaliam o tempo inteiro o serviço a que foram expostos e postam tudo na internet, de forma pública, para todos verem. E o meio mais comum para isso são as mídias sociais.

Ou seja, ignorá-las já não é mais uma opção. Será determinante, daqui para a frente, entendê-las e usá-las a seu favor, estabelecendo um diálogo com seus consumidores, de forma a deixar a relação mais transparente e confiável. As mídias sociais, portanto, vieram para modificar a esta relação e quem souber sair na frente, terá uma vantagem considerável.

Confiram o vídeo abaixo que exemplica muito bem a revolução das mídias sociais:

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